Nesta era digital e dos inventos a metro os mais desavisados, menos informados, indiferentes, desconfiados e cépticos que tomam tudo por adquirido, pensarão erroneamente que todas as modernices e comodismos consumistas existirão desde sempre; sou do contra e desmancha prazeres e vou passar a contrariá-los.
No presente temos o papel higiénico de folha simples, dupla, tripla, reciclado ou não, branco, preto e de todas as cores do arco-íris e até os há personalizados e impressos com figuras de banda desenhada ou efígies de personagens menos queridas como o Bush ou odiadas como o Bin Laden; nunca com a cara do utilizador. Denotaria mau gosto.
Quando miúdo os privilegiados davam um outro uso aos jornais depois de lidos que não iam para o lixo mas transformados em papel " higiénico " o que, dizia-se à época " ensinaria o cu a ler ". Os mais desafortunados faziam-no usando a imaginação. Não ! Não limpavam o dito cujo à dita. Seria difícil, usavam pedras, sabugos de milho, folhas de árvores e plantas, areia, eu sei lá. O leão da anedota perguntava ao coelho enquanto obrava : ' Tu largas pelo, coelhinho branco ? ' Os afortunados papel vegetal do fininho e cortado a preceito. Quem pode pode, já se sabe...
Nos idos de Cincoenta e Sessenta do século passado o sabão era azul ou vermelho e dava para lavar desde a roupa aos corpos. Sim, não havia gel de banho nem shampô e o Life Boy rosado e em barra que se bipartia era usado por muito poucos. O Rexona e por pudor dos sacristas do Estado Novo chamava-se Rexina, era sexualmente menos apelativo mas um luxo de nove em cada dez estrelas; a boazona da Raquel Welsh usava-o. O Eusébio dizia que o sabonete dele era o Life Boy. A Amália usava o Lux.
As carteiras das escolas tinham um tinteiro duplo metido numa ranhura, um para tinta e outro de lixívia para correcções e as canetas eram de pena ou de madeira com aparo amovível; era sujo e uma chatice dobrada para quem aprendia o B A BA. Os alunos tinham pequenas ardósias debruadas a madeira e um regrão da mesma ardósia para a escrita pois as sebentas eram caras e a esferográfica BIC veio revolucionar a escrita com duas escritas à sua escolha, BIC BIC BIC...
Comprar um móvel rádio ou um gira-discos era uma pequena fortuna. Até um rádio de pilhas não era barato e os discos eram em vinil e os gravadores de bobinas de fita, as máquinas fotográficas eram Kodac's ( o velho Mesquita Kodac ficou-lhe com o nome ) e faziam-se tarefas à luz das velas, candeeiros de petróleo ou Petromax com camisinha. Quem não tinha um fogão primo da Hipólito cozinhava a carvão ou lenha e os banhos eram tomados com um chuveiro feito pelo latoeiro ou improvisado de um balde com furos no fundo. Muitos lares nem casa de banho tinham.
Quem vê um pacote de leite pode ser levado a crer que o leite " nasce " empacotado e que o feijão e o grão crescem em latas ou boiões de vidro; no passado o leite era Nestlé, Nido, Suil, fervidos ou posto à porta pelo leiteiro; e o feijão e o grão eram demolhados e cosidos; crianças há que nunca viram uma galinha ou um feijoeiro.
O emprego era para toda a vida e garantia de relógio de ouro e jantar de despedida, hoje é precário, descartável e como não há jantares grátis... nunca ouviu ? Dizem : vá passando por cá e entretanto vá jantar a casa! As casas eram arrendadas, as famílias tinham mais filhos, as esposas fadas do lar a cuidar da prole; hoje compram-se casas sem ter dinheiro, para pagar em cincoenta anos, tem-se um filho ou nenhum e as mulheres mandam às claras que sempre é melhor que mandarem com meias tintas. As malas eram de cartão e colavam-se-lhes rótulos para embasbacar os papalvos e mostrar o quão viajados eram. Hoje viaja-se com mala de pele, Benneton, Louis Vuiton, sem etiquetas porque assim manda o low profile e não convém ostentar; só os patos-bravos, os parvennu ou os chulos é que pensam ser fino pavonearem-se.Tão démodè...
Os aviões eram a hélice e os automóveis à manivela e com radiadores monstros e sempre a aquecerem e bebendo mais água que camelo de beduíno, as bicicletas pesavam como chumbo; hoje temos " Admirável mundo novo " em que o real há muito ultrapassou o imaginário. Qual Júlio Verne, qual Aldous Huxley. Isto não é um mistério. Plagiando personagem de Mário Zambujal " Todo o mistério tem explicação. A explicação é que que pode ser inexplicável ". O mais velho é que sabe...
Os sapateiros faziam reparações e sapatos para pobre e remediado que iam buscar às lojas de curtumes e que vinham abertos e sem solas como bacalhau seco e que à força de sovela, fio ensebado, anilina, calor, agulha e muita habilidade, ganhavam forma; hoje, sapatos à mão só para ricos e os que precisam de reparação vão para o lixo. Até o bacalhau prefere mesa rica e os pobres como o Chitumba, o velho sapateiro da minha infância com o qual me embevecia a ver trabalhar ou o Manuel Sapateiro artesão de mão cheia, já estão num mundo melhor e com mesa mais farta que o pirão de pala-pala ou o peixe seco emalado acompanhados com vinho a martelo, de fruta que não uva ou baptizado.
O Boston da minha infância, alfaiate que confeccionava pijamas, casacos, fatos e camursinas e que só tinha meças no Monteiro Alfaiate e que era também árbitro de futebol gerador de zaragatas na assistência já bem bebida e nos jogadores que eram amadores. Hoje as roupas compram-se feitas, continua-se a beber nos estádios, os árbitros continuam polémicos e os jogadores são profissionais com grande apego ao dinheiro; que se lixe o amor à camisola que não compra carro de marca ou apartamento de luxo...
A explicação estará afinal no próprio genoma humano e qualquer inovação será amanhã obsoleta porque a mente e imaginação humanas não têm limites e os avanços científicos e tecnológicos para o melhor e para o pior estão em velocidade de cruzeiro. É tanta nostalgia que alguns de vós já têm o lenço de papel à mão. E os lenços de pano...chorem nostalgicamente mas não deixem de fazer os dias felizes...
O emprego era para toda a vida e garantia de relógio de ouro e jantar de despedida, hoje é precário, descartável e como não há jantares grátis... nunca ouviu ? Dizem : vá passando por cá e entretanto vá jantar a casa! As casas eram arrendadas, as famílias tinham mais filhos, as esposas fadas do lar a cuidar da prole; hoje compram-se casas sem ter dinheiro, para pagar em cincoenta anos, tem-se um filho ou nenhum e as mulheres mandam às claras que sempre é melhor que mandarem com meias tintas. As malas eram de cartão e colavam-se-lhes rótulos para embasbacar os papalvos e mostrar o quão viajados eram. Hoje viaja-se com mala de pele, Benneton, Louis Vuiton, sem etiquetas porque assim manda o low profile e não convém ostentar; só os patos-bravos, os parvennu ou os chulos é que pensam ser fino pavonearem-se.Tão démodè...
Os aviões eram a hélice e os automóveis à manivela e com radiadores monstros e sempre a aquecerem e bebendo mais água que camelo de beduíno, as bicicletas pesavam como chumbo; hoje temos " Admirável mundo novo " em que o real há muito ultrapassou o imaginário. Qual Júlio Verne, qual Aldous Huxley. Isto não é um mistério. Plagiando personagem de Mário Zambujal " Todo o mistério tem explicação. A explicação é que que pode ser inexplicável ". O mais velho é que sabe...
Os sapateiros faziam reparações e sapatos para pobre e remediado que iam buscar às lojas de curtumes e que vinham abertos e sem solas como bacalhau seco e que à força de sovela, fio ensebado, anilina, calor, agulha e muita habilidade, ganhavam forma; hoje, sapatos à mão só para ricos e os que precisam de reparação vão para o lixo. Até o bacalhau prefere mesa rica e os pobres como o Chitumba, o velho sapateiro da minha infância com o qual me embevecia a ver trabalhar ou o Manuel Sapateiro artesão de mão cheia, já estão num mundo melhor e com mesa mais farta que o pirão de pala-pala ou o peixe seco emalado acompanhados com vinho a martelo, de fruta que não uva ou baptizado.
O Boston da minha infância, alfaiate que confeccionava pijamas, casacos, fatos e camursinas e que só tinha meças no Monteiro Alfaiate e que era também árbitro de futebol gerador de zaragatas na assistência já bem bebida e nos jogadores que eram amadores. Hoje as roupas compram-se feitas, continua-se a beber nos estádios, os árbitros continuam polémicos e os jogadores são profissionais com grande apego ao dinheiro; que se lixe o amor à camisola que não compra carro de marca ou apartamento de luxo...
A explicação estará afinal no próprio genoma humano e qualquer inovação será amanhã obsoleta porque a mente e imaginação humanas não têm limites e os avanços científicos e tecnológicos para o melhor e para o pior estão em velocidade de cruzeiro. É tanta nostalgia que alguns de vós já têm o lenço de papel à mão. E os lenços de pano...chorem nostalgicamente mas não deixem de fazer os dias felizes...