Como repararam no título, escrevo " cristo " com letra minúscula para que o amigo leitor não confunda este " cristo " com CRISTO filho de DEUS que padeceu na cruz para nos salvar a todos.O cristo da nossa história, afirma para quem o quer ouvir que se trata do próprio, único e verdadeiro e que voltou a encarnar a sua figura terrena. Eu vi cristo assim como muita gente o terá visto na televisão porquanto, teve direito de antena e possibilidade de espalhar a palavra aos quatro ventos.Ele chegou numa camioneta de passageiros.A última camioneta da noite.Tarde e boas horas porque para cristo qualquer hora é boa.Apeou-se da camioneta numa paragem situada em frente de um canal de televisão.Poisou o pé direito porque cristo não duvida que isso é uma óptima ideia. Não caíu.Era um bom começo.Trazia como bagagem um saco.Encostou- o à berma da estrada e fez uns quantos exercícios para espairecer e caminhou um pouco porque trazia as pernas entorpecidas. Fez questão de ficar do mesmo lado da estrada. Debruçou-se e desapertando a boca do saco, retirou dele uma pequena garrafa de água; cristo é frugal e não necessita de luxos.Fez algumas abluções.Não muitas e despiu-se da cintura para cima.Atenção! - Não era um número de circo.Agarrou num pano branco e humedeceu-o.Com esse pano, limpou o corpo e a cara; achando-se limpo, vestiu um manto que na escuridão parecia imaculado.Pudera...cristo não tem mácula.Muito menos o pano. Agarrou num cobertor e sentando-se encostado à sebe, tapou-se e adormeceu profundamente parecendo até que não tinha que se preocupar com a renda de casa e outras minudências como : luz, gás, água ou o pão para os filhos.Bom, filhos não.Toda a gente sabe que cristo não tem filhos.Por volta das seis da manhã, o cobertor ganhou vida como ressuscitado e cristo que tinha dormido como um deus, acordava como mortal com remelas e mau gosto na boca e tudo.Exercitou as pernas e usando a garrafa de água e o pano, lavou-se.Perguntar-me-ão se a água era eterna e se não estaríamos perante um milagre; decididamente não era milagre.O saco é que sendo pequeno, parecia não ter fundo. Que tragédia.Cristo ficara sem água.Vestiu-se porque estivera nú da cintura para cima e envergou o manto que aos primeiros raios de sol, não parecia tão imaculado.Pormenores menores.Cristo tinha falta de água e resolveu ir ao café para comprar uma garrafa.Sim.Comprar.Cristo não gostava de água da torneira. O barista que já conhecia cristo de outros carnavais, deu-lhe uma corrida.Cristo correu.Não estava irado.A ira é pecado e cristo não peca. Parou junto ao tal saco e começou a montar o seu púlpito porque os " fiéis " já se deixavam ver a subir e a descer a rua; colocou cartazes com alguns ditos como um vezes dois igual a um, um vezes três igual a um. Os circunstantes iam parando dizendo uns que ele era maluco e outros apenas riam daquela matemática.Ele retorquia que as contas estavam certas porque o pai dele era apenas um, uno e indivisível e que lessem acerca da cidade quadrada.Em suma admoestava-os dizendo que estava tudo na Bíblia. Cristo era convincente. Convenceu um apresentador e dias volvidos apareceu na televisão onde se explicou perante milhões talvez angariando mais fiéis para a sua causa. Será que cristo fugiu do Júlio de Matos ou afins ? Não o sei. Sei é que nunca mais apareceu. Tenho apenas uma pequena dúvida : Se ele fosse o verdadeiro alguém acreditaria? - Talvez sim, talvez não. Eu sinto saudades de cristo embora faça questão de não o vêr tão cedo. Façam os dias felizes.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
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