Este conto relata a história de dois homens, um mais novo e na flôr da idade e um outro mais velho, muito mais velho, experiente e com a escola da vida a contrapôr à arrogância própria de alguma parte dos jovens; por um acaso do destino esse imprevisível grão de areia na engrenagem do nosso quotidiano, eles encontram-se num dado momento.O mais velho, segurança há trinta anos, exercia funções de vigilante numa empresa em cuja portaria existia uma caixa multibanco.O jovem, aborrecido com o caos do trâfego, com o pára arranca e com os outros condutores, estava ainda mais abespinhado com o facto de não conseguir levantar dinheiro em nenhuma máquina.Já tinha ido a uma que estava off line e a outra que lhe dizia ' levantamento indisponível ', quando deparou com o sinal de multibanco num parque empresarial.Esfregou as mãos e achando-se com sorte, parou a viatura em frente do multibanco e ao fazê-lo ficou a obstruir o acesso; ninguém entrava e ninguém saíria enquanto ele não abandonasse a máquina e com dinheiro no bolso.O jovem dirige-se à máquina e aparece-lhe o velho segurança a importuná-lo dizendo que ele não podia deixar o carro daquela maneira e que fosse estacioná-lo e voltasse.O jovem que já estava em brasa retorquiu dizendo que ele se fosse f...digo lixar mais as teorias dele pois ele ia só levantar dinheiro e quem era ele para para se lhe dirigir naqueles termos incorrectos.O velho, careca lustrosa e cabelos brancos, corou de raiva mas engoliu em seco e calou-se porque todos vocês sabem que o calado vence porque com a boca fechada e as mãos cruzadas não se fazem ou dizem asneiras.O velho aparentemente tinha perdido a batalha e a guerra...O jovem, alto, magro e escorreito e com a certeza que havia vencido por K.O., dirige-se à máquina de cartão em riste como se empunhasse uma arma e introduz o cartão na ranhura.O velho, moita e de atalaia, aguardava como uma onça em alerta e pronto para o bote.No momento em que o cartão entrou na ranhura, que momento sublime para o velho, afinal tinha ganho o confronto.Desligou a electricidade.A máquina em agonia de morte e num estertor engoliu o cartão.O jovem, estupefacto.O velho, ufano sem demonstrar alegria mas quase a explodir.O jovem aos saltos.Da última vez que ficou sem o cartão de débito, esteve um mês sem ele.Que porcaria de vida...A moral desta história se alguma tem, é do arbítrio do leitor.Façam os dias felizes.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
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