sexta-feira, 21 de março de 2008

Conto - O Casamento - Risler Junior

O casamento é uma instituição ou já o foi e agora não é tanto assim, porque o que era um dogma ontem, talvez seja hoje uma dúvida e as pessoas já não acreditem no amor e numa cabana como no passado; nos dias de hoje, acredita-se em coisas mais palpáveis como férias no estrangeiro e dinheiro na carteira para gastos.

É por isso que nos quedamos incrédulos e de cara à banda quando ouvimos falar num casamento que reuniu três mil convidados.Deve ter sido um casamento de pessoas muito ricas e da alta sociedade, ficamos nós a pensar e a imaginar o dinheiro que se terá gasto.Como diz o outro, só perde quem não tem e assim como assim, quem o tem que o gaste como quiser.Mas não se trata de facto de um casamento rico.

Esta união teve lugar num sítio esconso no leste da Índia e o padre que o realizou, caracterizou a experiência como única e a avaliar pela ementa podemos dizer que o banquete teve uma ementa tão simples que o dinheiro não deve abundar; pudera, os pais dos noivos não negoceiam em aço nem são magnatas da informática ou banqueiros.

A multidão de convidados banqueteou-se com arroz, lentilhas, verduras, pratos de peixe e doces e eu gostaria de ser mais assertivo no tocante à ementa mas não vou por-me a inventar nem dizer que o ' chef de cuisine ' que tratou da confecção do repasto era detentor de cinco estrelas da Michelin.Bolas ! Tenho de explicar tudo.Não, não é marca de pneu.Vocês, com a gasolina tão cara e ainda pensam em pneus.Sei que a ementa era essa.Não sei se beberam vinho e digestivos.Sei que na Índia não se bebe álcool e portanto parto do princípio que a bebida foi água ( H2 O ) e que não veio de nenhum glaciar; acho que era água do rio Ganges que corre " límpido "ali perto.Vocês também deviam beber apenas água como eu e da torneira que é mais barata e melhor, bem melhor do que a das Ilhas Fidgi que bem cara é.Estou a desviar-me...

O feliz casal recebeu presentes vários dos convidados e um comerciante da região, perdendo a cabeça e pelo apreço que nutria pelos noivos, ofereceu um magnífico colar de ouro à simpática noiva que sendo muito linda, ficou ainda mais esplendorosa e vaidosa.O ouro tem essa magia.É do brilho.

A festa foi decorrendo muito animada porque a água sobe à cabeça quando é muita e perde-se a cabeça quando não há; deve ser uma das propriedades dos líquidos.Não sei se se dançou ou se disseram mantras.Não sei mas gostava de saber.Se ficam contentes com música, imaginem.

Os noivos que tinham crescido em lugares diferentes e educados por famílias diferentes como animais de estimação tinham vivido toda a sua vida acorrentados.Naquele dia solene foram libertados como se tivessem recebido a carta de alforria.As correntes foram retiradas e o nosso casal de macacos foi libertado numa selva perto dali.
Porra! Estou farto.E eu é que sei se eles viveram felizes para sempre e tiveram muitos macaquinhos ? Já é mania.Nem sei se foram infelizes para sempre.Puxem pela caixa dos pirolitos e imaginem que sim porquanto todos temos o direito e o dever de ser felizes embora a felicidade seja tão fugidia e rectroactiva que só se saiba que foi vivida quando ela se foi.Em quaisquer dos casos, faça os dias felizes.

Sem comentários:

Enviar um comentário

O seu comentário e a sua crítica são importantes; não se esqueça de o emitir.