Dos sete pecados capitais há pelo menos um que a contragosto tenho de ter coragem de assumir.EU SOU INVEJOSO.Ninguém é perfeito; " Nul n' est parfait...sauf moi " dizia alguém há muitos anos.Eu não posso dizê-lo pois padeço do pecado da Inveja e em relação a duas coisas muito distintas ou não : Deus e Família.Sinto-o assumidamente em relação às famílias que se dão bem e contra ventos e marés se mantêm unidas, amigas e colaborantes e sinto uma inveja maior daquelas pessoas que sendo crentes, acreditam num Deus misericordioso, omnipotente, omnisciente, todo poderoso e que além disso é infinitamente bom; ou seja, tudo o que lhes acontece tem uma explicação divina porque misteriosos são os caminhos do Senhor.
Conheço uma aldeia de Portugal situada no concelho de Sabrosa, próxima de S.Martinho de Anta, terra natal dessa figura de médico e escritor insigne que foi Adolfo Rocha.Essa aldeia chama-se Donêlo do Douro e o Santo da devoção daquele povo é S.Domingos.Segundo a tradição oral, este Santo tem sete irmãos dos quais dois Domingos, um Leonardo e uma Santa são os mais famosos.São eles sete montes à volta do S.Domingos da nossa história e que se vêem uns aos outros " ad eternum " fazendo parte da Serra do Monte Coxo.
Nos arredores desta serra vivia um pastor de cabras que por aversão ao Santo, maldade ou qualquer pedido não satisfeito, foi protagonista de pelo menos duas histórias as quais lhe deram o nome de Queima-Santos.Toda a gente o conhecia e era motivo de troça não pela sua falta de habilidade a roubar mas pelo modo como S.Domingos, que o conhecia de ginjeira, não lhe dava espaço de manobra às suas tropelias e vilezas.
Certo dia e com a proximidade dos festejos em honra do Santo e ao avolumar das oferendas e ofertas daquele simpático povo, o nosso herói achou que podia arranjar uns trocados se assaltasse a capela e roubasse o que ao santo pertencia;se melhor o pensou, melhor o fez e pela calada da noite, dirigiu-se a um janelo pequeno da capela.Porfiando lá conseguiu entrar.Partiu as caixas das esmolas que eram em madeira e toca a encher quantos bolsos tinha.Ele eram moedas, notas de banco, fios e brincos de ouro...
Quando se dirigiu ao janelo para sair e fosse pelo que fosse e o povo diz que foi o Santo, não havia meio de conseguir escapulir-se.Ficava preso.Maldizendo S.Domingos, foi esvaziando os bolsos de tudo o que lá havia metido e só de lá saiu quando ficou com os bolsos completamente vazios.« Diacho do Santo, hás-de pagar-mas » casquinhava entre dentes, furibundo.
Passados dias e como a vingança ( prerrogativa de Deus ) é um prato que se come frio cogitou uma maneira de se vingar do Santo.Só vingança.As festas tinham acabado e não havia dinheiro.Ele ainda tinha a afronta de S.Domingos atravessada na garganta como uma espinha.Pior.Foi-se à porta da capela e arrombou-a.Estava farto de subtilezas.Assim tivesse ele agido antes e estaria a nadar em dinheiro! -A fúria era tanta que a porta saltou em fanicos e atirou-se ao Santo que aparentemente indefeso caiu desamparado do altar.Era duro e de boa madeira e resistiu à queda com galhardia.
O Queima-Santos que levava uma corda, atou-a à cabeça do Santo com o intuito de o arrastar para o exterior e fazer jus à alcunha que conquistara denodadamente, roubando santos e queimando-os, reduzindo-os a cinzas.Como eles ardiam bem e tão coloridas e vivas eram aquelas chamas; até se babava, antecipando o momento.Fora da capela atou a outra ponta da corda a uma cabra.O Santo assim atado começou a deslizar pelo barranco abaixo, puxado pela cabra que fugia esbaforida sabendo-se lá porquê.
Diz o povo que o S.Domingos em lugar de se soltar, era puxado pela cabra em direcção ao vale ao mesmo tempo que o Queima-Santos gritava aflito e a plenos pulmões « Agarra-te às estevas, mãos de aranha. Agarra-te às estevas ! » porque o Santo só teria valor para ele se queimado inteiro.Era ponto de honra.Claro que o Santo para o castigar nem ouvidos lhe dava e ' queimado ' ficou o nosso herói que escorregando com toda aquela azáfama, caíu por terra ficando ferido; chegada a GNR foi levado para os calaboiços.Quanto ao S.Domingos esse foi devolvido ao seu altar de honra.
Se forem a Trás-os-Montes visitem-no e aproveitem o ensejo e passem por S.Martinho de Anta, terra de Adolfo Rocha, vosso conhecido autor do Alma Grande dos Contos da Montanha, esse magnífico escritor que foi Miguel Torga.
A Fé é um dogma e o povo está-se nas tintas se o leitor acredita ou não nesta história.Eles acreditam e pronto.Por isso falava no início em inveja porque eles, os que acreditam, devem ser bem mais felizes por acreditarem do que aqueles que não acreditam e quanto a vocês, ateus, agnósticos, crentes, descrentes, indiferentes ou assim assim, façam os dias felizes...
Conheço uma aldeia de Portugal situada no concelho de Sabrosa, próxima de S.Martinho de Anta, terra natal dessa figura de médico e escritor insigne que foi Adolfo Rocha.Essa aldeia chama-se Donêlo do Douro e o Santo da devoção daquele povo é S.Domingos.Segundo a tradição oral, este Santo tem sete irmãos dos quais dois Domingos, um Leonardo e uma Santa são os mais famosos.São eles sete montes à volta do S.Domingos da nossa história e que se vêem uns aos outros " ad eternum " fazendo parte da Serra do Monte Coxo.
Nos arredores desta serra vivia um pastor de cabras que por aversão ao Santo, maldade ou qualquer pedido não satisfeito, foi protagonista de pelo menos duas histórias as quais lhe deram o nome de Queima-Santos.Toda a gente o conhecia e era motivo de troça não pela sua falta de habilidade a roubar mas pelo modo como S.Domingos, que o conhecia de ginjeira, não lhe dava espaço de manobra às suas tropelias e vilezas.
Certo dia e com a proximidade dos festejos em honra do Santo e ao avolumar das oferendas e ofertas daquele simpático povo, o nosso herói achou que podia arranjar uns trocados se assaltasse a capela e roubasse o que ao santo pertencia;se melhor o pensou, melhor o fez e pela calada da noite, dirigiu-se a um janelo pequeno da capela.Porfiando lá conseguiu entrar.Partiu as caixas das esmolas que eram em madeira e toca a encher quantos bolsos tinha.Ele eram moedas, notas de banco, fios e brincos de ouro...
Quando se dirigiu ao janelo para sair e fosse pelo que fosse e o povo diz que foi o Santo, não havia meio de conseguir escapulir-se.Ficava preso.Maldizendo S.Domingos, foi esvaziando os bolsos de tudo o que lá havia metido e só de lá saiu quando ficou com os bolsos completamente vazios.« Diacho do Santo, hás-de pagar-mas » casquinhava entre dentes, furibundo.
Passados dias e como a vingança ( prerrogativa de Deus ) é um prato que se come frio cogitou uma maneira de se vingar do Santo.Só vingança.As festas tinham acabado e não havia dinheiro.Ele ainda tinha a afronta de S.Domingos atravessada na garganta como uma espinha.Pior.Foi-se à porta da capela e arrombou-a.Estava farto de subtilezas.Assim tivesse ele agido antes e estaria a nadar em dinheiro! -A fúria era tanta que a porta saltou em fanicos e atirou-se ao Santo que aparentemente indefeso caiu desamparado do altar.Era duro e de boa madeira e resistiu à queda com galhardia.
O Queima-Santos que levava uma corda, atou-a à cabeça do Santo com o intuito de o arrastar para o exterior e fazer jus à alcunha que conquistara denodadamente, roubando santos e queimando-os, reduzindo-os a cinzas.Como eles ardiam bem e tão coloridas e vivas eram aquelas chamas; até se babava, antecipando o momento.Fora da capela atou a outra ponta da corda a uma cabra.O Santo assim atado começou a deslizar pelo barranco abaixo, puxado pela cabra que fugia esbaforida sabendo-se lá porquê.
Diz o povo que o S.Domingos em lugar de se soltar, era puxado pela cabra em direcção ao vale ao mesmo tempo que o Queima-Santos gritava aflito e a plenos pulmões « Agarra-te às estevas, mãos de aranha. Agarra-te às estevas ! » porque o Santo só teria valor para ele se queimado inteiro.Era ponto de honra.Claro que o Santo para o castigar nem ouvidos lhe dava e ' queimado ' ficou o nosso herói que escorregando com toda aquela azáfama, caíu por terra ficando ferido; chegada a GNR foi levado para os calaboiços.Quanto ao S.Domingos esse foi devolvido ao seu altar de honra.
Se forem a Trás-os-Montes visitem-no e aproveitem o ensejo e passem por S.Martinho de Anta, terra de Adolfo Rocha, vosso conhecido autor do Alma Grande dos Contos da Montanha, esse magnífico escritor que foi Miguel Torga.
A Fé é um dogma e o povo está-se nas tintas se o leitor acredita ou não nesta história.Eles acreditam e pronto.Por isso falava no início em inveja porque eles, os que acreditam, devem ser bem mais felizes por acreditarem do que aqueles que não acreditam e quanto a vocês, ateus, agnósticos, crentes, descrentes, indiferentes ou assim assim, façam os dias felizes...
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